Para muitos desenvolvedores, estudar algoritmos parece algo distante do dia a dia e restrito a entrevistas técnicas. Porém, entender algoritmos é essencial tanto para resolver problemas complexos quanto para escrever código eficiente. Com sistemas cada vez mais distribuídos, alta escala, microsserviços e dados em volume crescente, dominar esse tema deixou de ser um diferencial — tornou-se parte da base.
Abaixo você terá acesso ao meu roadmap pessoal de estudos de algoritmo.
Começando pelo essencial: fundamentos que não mudam
Antes mesmo de entrar nos algoritmos clássicos, existe um ponto fundamental para qualquer desenvolvedor: estruturas de dados. Sem elas, algoritmos tornam-se apenas sequências de passos sem propósito.
Os principais pilares são:
- Arrays e listas
- Tabelas de dispersão (hash tables)
- Strings
- Pilhas e filas
- Listas ligadas
- Árvores binárias
- Grafos (conceitos)
Além disso, compreender notação Big-O, análise de complexidade, diferença entre melhor/médio/pior caso, recursão e tradeoffs entre tempo e espaço torna todo o resto muito mais simples. Esses elementos são a base conceitual para entender por que um algoritmo é eficiente ou não.
Os algoritmos clássicos que todo desenvolvedor deveria entender
Alguns algoritmos são considerados “fundamentais” porque aparecem em praticamente qualquer contexto — desde mecanismos de busca até aplicações de backend e sistemas embarcados.
Ordenação
Além de organizar dados, algoritmos de ordenação são a porta de entrada para entender recursão, dividir-para-conquistar e estruturas auxiliares. Entre eles:
- Merge Sort
- Quick Sort
- Heap Sort
- Counting Sort
- E, como contraponto didático, Bubble/Insertion/Selection Sort
Cada um traz diferentes prós, contras e contextos ideais.
Busca
A busca binária é, possivelmente, o algoritmo mais usado na prática. Vai muito além de “achar um número em um array”: É usada em problemas de otimização, range queries, busca sobre respostas e lógica aplicada em sistemas.
Árvores
Árvores são onipresentes:
- Estruturas de banco
- Compiladores
- Indexação
- Sistemas de arquivos
- Motores de busca
Os principais algoritmos envolvem:
- DFS
- BFS
- Travessias clássicas
- Árvores balanceadas (conceito)
- Segment Tree e Fenwick Tree (para cenários mais avançados)
Grafos
Muito usados em redes, mapas, dependências e sistemas complexos:
- DFS / BFS
- Dijkstra
- Bellman-Ford
- Floyd-Warshall
- Algoritmos de MST (Kruskal e Prim)
Programação Dinâmica
Talvez o tópico mais desafiador, mas também o mais poderoso. Dominá-lo significa entender:
- Memoização
- Tabelamento
- Problemas de otimização clássicos (knapsack, LCS, LIS)
- Padrões de subproblemas
Strings
Em um mundo dominado por textos, buscas e indexações, algoritmos de string se tornaram essenciais:
- Sliding window
- Two pointers
- KMP
- Trie
- Hashes (Rabin-Karp)
Greedy
Greedy ensina a tomar decisões locais para soluções globais:
- Interval scheduling
- Huffman
- Seleção de atividades
- Minimização de recursos
Padrões de problemas
Hoje, estudar algoritmos não é mais memorizar dezenas de técnicas isoladas. O foco mudou para padrões de problemas, que permitem reconhecer estruturas recorrentes.
Os principais padrões são:
- Two pointers
- Sliding window
- Monotonic stack
- Merge intervals
- Top K elements
- Backtracking
- Binary search on answer
- Dynamic programming patterns
- Traversal de grafos
- Greedy
Dominar padrões significa conseguir resolver problemas complexos com menos esforço e com mais previsibilidade.
Prática moderna: produtividade acima de volume
Não se trata de resolver 500 problemas aleatórios, mas sim de praticar com método.
A abordagem recomendada é:
- Selecionar um padrão
- Resolver 5–10 problemas variando sua forma
- Revisar as soluções e anotar erros comuns
- Avançar para o próximo padrão
- Repetir esse ciclo até ganhar fluência
Ferramentas úteis: LeetCode, HackerRank, NeetCode, Codeforces (para quem quer ir além).
O lado avançado: quando você quiser ir mais fundo
Para quem trabalha com grandes sistemas, bancos de dados, buscas ou otimização, alguns tópicos se tornam valiosos:
- Union-Find (DSU)
- Algoritmos de fluxo
- Árvores de sufixo
- Aho-Corasick
- K-D Trees
- Técnicas de hashing avançadas
Não são obrigatórios para todos os desenvolvedores, mas fazem diferença para áreas como backend escalável, search e sistemas distribuídos.
Algoritmos no mundo real: onde eles realmente aparecem
É comum pensar que algoritmos só servem para entrevistas. Isso não é verdade.
Aplicações práticas incluem:
- Autocomplete de buscas usando tries
- Sistemas de recomendação com top-K
- Rate limiting com heaps e janelas deslizantes
- Cache LRU com HashMap + lista ligada
- Busca textual com KMP
- Indexação inversa para motores de busca
- Balanceamento de carga com hashing consistente
Sistemas modernos dependem mais do que nunca desses conceitos.
Um caminho prático de evolução
Uma linha do tempo realista seria:
Semanas 1–2: fundamentos e estruturas de dados
Semanas 3–6: algoritmos clássicos
Semanas 7–10: DP, strings e greedy
Semanas 11–14: padrões de problemas + prática intensiva
Semanas 15–20: tópicos avançados + aplicações no mundo real
Conclusão
Estudar algoritmos deixou de ser apenas uma etapa para entrevistas técnicas. Em um mundo onde eficiência, escalabilidade e análise de dados são essenciais, algoritmos se tornaram parte fundamental do trabalho de qualquer desenvolvedor que almeja crescer.
Dominar esses conceitos é investir em clareza mental, capacidade de resolver problemas e qualidade de código — elementos que nunca saem de moda, independentemente das ferramentas ou frameworks do momento.